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MPMG DENUNCIA EX-MONITOR DE ESCOLA CÍVICO-MILITAR POR CRIMES SEXUAIS CONTRA ALUNAS E INVESTIGAÇÃO PODE TER NOVOS DESDOBRAMENTOS

MPMG DENUNCIA EX-MONITOR DE ESCOLA CÍVICO-MILITAR POR CRIMES SEXUAIS CONTRA ALUNAS E INVESTIGAÇÃO PODE TER NOVOS DESDOBRAMENTOS

17/07/2026 08:08
Por:
José Roberto
José Roberto

A denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais contra um ex-monitor da Escola Municipal Cívico-Militar Três Marias, em São João Nepomuceno, ampliou a repercussão de um dos casos mais graves registrados recentemente na cidade. O servidor, de 23 anos, é investigado por supostos crimes sexuais envolvendo alunas da instituição de ensino. As investigações seguem sob sigilo devido ao envolvimento de crianças e adolescentes, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Segundo o Ministério Público, existem pelo menos dois boletins de ocorrência registrados contra o investigado. Um deles apura o crime de estupro de vulnerável e o outro investiga uma denúncia de importunação sexual. A Promotoria de Justiça já ofereceu denúncia em um dos procedimentos, enquanto o segundo continua em fase de inquérito conduzido pela Polícia Civil de Minas Gerais.

Com a denúncia formalizada, caberá agora ao Poder Judiciário analisar os elementos reunidos durante a investigação e decidir se recebe a acusação. Caso isso ocorra, o investigado passará oficialmente à condição de réu e responderá a uma ação penal. Até o momento, as autoridades não divulgaram informações sobre eventual mandado de prisão ou outras medidas cautelares, ressaltando que todos os procedimentos permanecem protegidos por sigilo judicial.

As primeiras investigações tiveram início após familiares procurarem a Polícia Civil para denunciar comportamentos considerados incompatíveis com a função exercida pelo então auxiliar de aprendizagem da escola. O primeiro boletim de ocorrência foi registrado em abril, quando uma mãe encontrou mensagens e fotografias enviadas pelo monitor ao telefone celular da filha, de apenas 12 anos. Durante o registro da ocorrência, a adolescente relatou fatos que passaram a integrar a investigação conduzida pelas autoridades.

Dias depois, um segundo caso veio à tona. O pai de uma estudante de 11 anos também procurou a polícia após verificar mensagens enviadas pelo monitor ao celular da filha. A nova denúncia ampliou a apuração e levou os investigadores a verificarem a existência de outras possíveis vítimas.

Com o avanço das investigações, uma mensagem enviada pelo investigado à família de uma das adolescentes passou a circular nas redes sociais e ganhou grande repercussão. O conteúdo, exibido em uma conversa por aplicativo de mensagens, demonstra arrependimento e reconhecimento da gravidade da situação. Na mensagem, o investigado afirma que seus atos são imperdoáveis, assume integralmente a responsabilidade pelo ocorrido, pede perdão aos familiares e declara estar disposto a enfrentar as consequências legais de suas atitudes. Também procura afastar qualquer responsabilidade da adolescente envolvida, afirmando que toda a culpa seria exclusivamente dele.

Embora a mensagem tenha repercutido amplamente, seu conteúdo integra o conjunto de elementos que poderão ser analisados pelas autoridades durante a investigação e, eventualmente, pelo Poder Judiciário ao longo do processo. A existência da mensagem, por si só, não substitui a produção de provas nem altera o direito de defesa assegurado ao investigado.

Outro fato que aumentou a repercussão do caso foi o pronunciamento público do pai de uma das estudantes. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, ele cobrou uma resposta firme das autoridades e afirmou acreditar que existam outras crianças envolvidas. Segundo o responsável, novas famílias estariam procurando a Polícia Civil para registrar ocorrências relacionadas ao mesmo investigado, circunstância que poderá ampliar o alcance das investigações caso novos fatos sejam confirmados.

Após tomar conhecimento das primeiras denúncias, a Secretaria Municipal de Educação informou que promoveu o desligamento imediato do servidor. Conforme a administração municipal, ele exercia a função de auxiliar de aprendizagem por meio de contrato temporário e, até então, não havia registros administrativos de comportamento inadequado durante o período em que atuou na rede municipal de ensino.

Em nota oficial, a Prefeitura de São João Nepomuceno informou que orientou os familiares a registrarem ocorrência policial, prestou apoio às vítimas e colocou toda a estrutura da administração à disposição da Polícia Civil e do Ministério Público para colaborar com as investigações. O município também informou que vem fornecendo todas as informações solicitadas pelas autoridades responsáveis pela apuração.

A Secretaria Municipal de Educação orientou ainda que qualquer família que tenha conhecimento de situações semelhantes procure imediatamente a Polícia Civil e o próprio órgão municipal para formalizar denúncias, permitindo que todos os fatos sejam investigados de forma individualizada.

As autoridades reforçam que o processo permanece em sigilo para garantir a proteção das vítimas e preservar a regularidade das investigações. O Ministério Público e a Polícia Civil não divulgaram detalhes sobre depoimentos, provas técnicas ou outras diligências em andamento justamente para evitar prejuízos à apuração.

O caso provocou grande comoção em São João Nepomuceno e reacendeu o debate sobre a importância da proteção de crianças e adolescentes no ambiente escolar, além da necessidade de mecanismos permanentes de prevenção, fiscalização e acolhimento de possíveis vítimas. Especialistas ressaltam que denúncias dessa natureza devem ser comunicadas imediatamente às autoridades competentes para assegurar a proteção dos menores e permitir uma investigação completa.

A próxima etapa do caso será a análise da denúncia pelo Poder Judiciário. Se a acusação for recebida, será instaurada a ação penal, oportunidade em que serão produzidas novas provas, ouvidas testemunhas e observados todos os direitos garantidos pela legislação, incluindo o contraditório e a ampla defesa do acusado. Paralelamente, a Polícia Civil continua investigando os fatos para verificar a existência de outros episódios relacionados ao caso e identificar eventuais novas vítimas, caso elas venham a procurar as autoridades.