A cidade de Juiz de Fora vive dias de luto e mobilização após o temporal histórico que atingiu o município e provocou mortes, soterramentos e destruição em diversos bairros. Equipes do Corpo de Bombeiros mantêm operações ininterruptas de resgate há mais de 80 horas, concentrando esforços principalmente nos bairros Paineiras, Parque Burnier e Linhares, onde ainda há pessoas desaparecidas.
No bairro Paineiras, os trabalhos se concentram na área atingida por um deslizamento de terra que soterrou uma casa onde estavam cinco integrantes da mesma família. Quatro vítimas já foram encontradas sem vida, entre elas a mãe, o padrasto, a avó e a irmã de um menino de 10 anos que permanece desaparecido. O local é considerado um dos mais complexos da operação devido à lama acumulada, à chuva constante e à compactação dos escombros.
As buscas contam com cães farejadores especializados, equipamentos eletrônicos de detecção e máquinas pesadas utilizadas para romper estruturas destruídas. Mesmo com o reforço tecnológico, o avanço das escavações ocorre lentamente para evitar novos desmoronamentos.
Familiares acompanham diariamente o trabalho das equipes, vivendo uma rotina marcada por expectativa e sofrimento. Parentes permanecem próximos ao local desde o início da tragédia, retornando todos os dias na esperança de encontrar o menino desaparecido. A retirada do corpo da irmã durante a noite aumentou ainda mais a comoção entre os familiares, que relatam medo constante devido ao risco de novos deslizamentos sempre que a chuva se intensifica.
Além da dor da perda, parentes também atuam como voluntários, auxiliando na organização do local e oferecendo apoio às equipes de resgate. A presença da família reforça o clima de solidariedade que se formou entre moradores e socorristas durante os trabalhos.
No Parque Burnier, área que concentra o maior número de mortes confirmadas, bombeiros realizam escavações com apoio de máquinas e trabalho manual. Já no bairro Linhares, as equipes procuram por outra vítima desaparecida em meio aos estragos causados pela enxurrada.
Para reforçar as operações, novos militares foram enviados à cidade, incluindo equipes com cães e profissionais que permanecerão atuando por vários dias nas ações relacionadas às chuvas.
O desastre foi provocado por um volume excepcional de precipitação registrado em poucas horas, causando transbordamento do Rio Paraibuna, córregos cheios, bairros isolados e dezenas de ocorrências de soterramento, principalmente na região sudeste do município. O acumulado de chuva registrado ao longo do mês tornou fevereiro o período mais chuvoso já documentado na história local.
O número de mortes na Zona da Mata mineira chegou a 64, sendo a maior parte em Juiz de Fora, além de registros em cidades vizinhas. Diante da gravidade da situação, o município decretou estado de calamidade pública enquanto equipes de emergência seguem trabalhando para localizar desaparecidos e prestar assistência às famílias afetadas.



