A cidade de Juiz de Fora voltou a viver momentos de tensão na madrugada desta quinta-feira, 26 de fevereiro, após mais um episódio de chuva intensa que provocou alagamentos, evacuações e novas interdições. O reforço de 10 caminhões e cerca de 100 militares do Exército é aguardado ao longo do dia para ampliar as ações de apoio à população.
No bairro Graminha, próximo ao ponto de escorregamento na Rua Valdomiro Eloi do Amaral, imóveis foram interditados durante a madrugada após vistorias técnicas indicarem risco de novos deslizamentos. Moradores precisaram deixar suas casas imediatamente. Já no início da manhã, houve evacuação total das ruas Dr. Augusto Manna, Tenente Lucas Drumond e áreas próximas ao bairro Jardim Natal, na Zona Norte. As famílias foram encaminhadas para uma escola municipal que passou a funcionar como abrigo.
Durante a noite, o nível do Rio Paraibuna subiu cerca de quatro metros, ultrapassando a calha em alguns trechos e provocando interdições em vias importantes, como a Ponte Vermelha, no bairro Santa Terezinha, e o Mergulhão. A Avenida Rio Branco, principal corredor viário da cidade, ficou completamente tomada pela água, formando uma extensa lâmina que interrompeu o trânsito. Pela manhã, a via foi liberada, apesar de ainda haver pontos de alagamento. O Mergulhão permanece interditado por estar em área mais baixa.
Somente na noite de quarta-feira foram registrados 113 milímetros de chuva. O acumulado do mês já é quase cinco vezes superior ao volume historicamente esperado para fevereiro, o que agrava o risco de novos deslizamentos e inundações.
Na Zona da Mata mineira, o cenário é de tragédia. Entre os dias 23 e 24, foram registradas 48 mortes, sendo 42 em Juiz de Fora e seis em Ubá. Há ainda 19 pessoas desaparecidas nas duas cidades. Atualizações mais recentes indicam 46 mortes confirmadas no estado em decorrência das chuvas e deslizamentos, com 21 desaparecidos e cerca de 3.600 pessoas desalojadas ou deslocadas.
Em Ubá, o volume de chuva chegou a aproximadamente 174 milímetros em poucas horas, provocando alagamentos severos, danos a pontes, vias e construções, além de mobilização de equipes de saúde nos abrigos municipais. Operações de limpeza e recuperação seguem em andamento.
O estado de calamidade pública foi decretado nas áreas mais atingidas, permitindo acelerar o envio de recursos emergenciais. Equipes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Forças Armadas permanecem mobilizadas em buscas, resgates e assistência humanitária, enquanto as autoridades monitoram a evolução do clima e os impactos nas áreas de risco.


