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Fim da escala 6x1 divide setor de confecções e acende alerta para empregos e custos no Brasil

Fim da escala 6x1 divide setor de confecções e acende alerta para empregos e custos no Brasil

24/02/2026 14:06
Por:
Valter Roberto
Valter Roberto

A possível mudança no modelo de jornada de trabalho conhecido como escala 6 por 1 vem ganhando força no país e já mobiliza trabalhadores, empresários e o Congresso Nacional. O tema, que envolve saúde do trabalhador, produtividade e impacto econômico, foi debatido em entrevista com dois representantes do setor de confecções: José Roberto Schincariol, o Zé Roberto, presidente do Sindivest, e Antônio Sérgio Rodrigues, o Paraná, presidente do sindicato dos trabalhadores do setor de confecções e calçados.

O que está em debate

A escala 6x1 prevê seis dias de trabalho para um de descanso. A proposta em discussão no país busca reduzir essa jornada, o que, segundo especialistas, pode trazer ganhos de qualidade de vida, mas também elevar custos para as empresas.

Zé Roberto avalia que o tema é legítimo, mas critica a forma e o momento do debate. Para ele, o trabalhador merece melhores condições, porém a mudança precisa ser amplamente estudada e negociada. O dirigente alerta que a imposição por lei, sem transição e sem ganho de produtividade, pode gerar forte impacto econômico.

Impacto nas empresas preocupa

Segundo o presidente do Sindivest, a principal preocupação é o aumento imediato de custos, especialmente para micro e pequenas empresas. Ele estima que o custo operacional pode subir entre 9 por cento e 18 por cento, o que poderia levar ao fechamento de negócios menores.

Zé Roberto destacou que grandes empresas tendem a se adaptar com mais facilidade, enquanto as menores são mais vulneráveis. Ele defende que qualquer mudança passe por negociação coletiva entre sindicatos patronais e laborais, e não apenas por legislação federal.

Visão dos trabalhadores

Já Antônio Sérgio Rodrigues, o Paraná, reconhece as dificuldades apontadas pelo setor empresarial, mas afirma que a discussão é uma tendência mundial e que o Brasil terá de se adaptar gradualmente.

Para ele, toda mudança gera impacto inicial, mas o sistema produtivo tende a se ajustar ao longo do tempo. O sindicalista também defende que trabalhadores e empresas precisam buscar um ponto de equilíbrio para preservar empregos e melhorar as condições de trabalho.

Produtividade é ponto central

Um dos consensos entre os convidados é que o grande gargalo brasileiro é a produtividade. Zé Roberto afirmou que, em média, seriam necessários quatro trabalhadores brasileiros para produzir o equivalente a um trabalhador norte-americano, apontando a educação e a qualificação profissional como fatores decisivos.

Ele defende que o país priorize investimentos em educação, tecnologia e redução do chamado custo Brasil antes de promover mudanças estruturais na jornada.

Falta de mão de obra já é realidade

Outro ponto destacado foi a dificuldade crescente de contratação no setor de confecções. Segundo Paraná, muitas empresas já enfrentam escassez de trabalhadores, o que poderia se agravar com a redução da jornada.

Ele pondera, porém, que a modernização tecnológica e a automação também devem transformar o mercado de trabalho nos próximos anos, exigindo adaptação de todos os setores.

Alternativas e caminho do diálogo

Ambos os representantes concordam que a discussão precisa avançar, mas com planejamento. A principal recomendação é ampliar o debate envolvendo centrais sindicais, universidades, empresários e trabalhadores.

Enquanto Zé Roberto defende cautela e mais estudos antes de qualquer mudança legal, Paraná acredita que a transição é inevitável, embora reconheça a necessidade de ajustes para evitar impactos negativos.

Conclusão

O possível fim da escala 6x1 segue como um dos temas mais sensíveis do mundo do trabalho no Brasil. Entre ganhos sociais e riscos econômicos, especialistas apontam que o sucesso de qualquer mudança dependerá de diálogo, produtividade e planejamento para equilibrar competitividade das empresas e qualidade de vida dos trabalhadores.