As fortes chuvas que atingem a Zona da Mata Mineira e parte do Sudeste brasileiro provocaram uma série de transtornos nas últimas horas, com destaque para Juiz de Fora, onde um temporal de grandes proporções levou o município a decretar situação de emergência. Em menos de duas horas, foram registrados 112 milímetros de chuva, volume equivalente a cerca de um terço da média esperada para todo o mês de dezembro, estimada em 310,4 milímetros. O evento climático extremo resultou em mais de 150 ocorrências atendidas pela Defesa Civil e afetou de forma generalizada toda a cidade, comprometendo a mobilidade urbana, a infraestrutura viária, sistemas de drenagem, redes de esgoto e diversas habitações.
Diante do cenário, a prefeita Margarida Salomão assinou um decreto declarando situação de emergência no município, com validade inicial de 90 dias, podendo ser prorrogado. Segundo a prefeitura, 55 famílias ficaram desalojadas. O decreto autoriza a mobilização de todos os órgãos municipais para ações de resposta, assistência às famílias atingidas, reabilitação e reconstrução das áreas afetadas, conforme previsto no Plano de Contingência Municipal, que se encontra em nível máximo de alerta. Entre as medidas anunciadas estão a isenção total do IPTU de 2026 para imóveis comprovadamente atingidos por enchentes ou alagamentos durante o período de vigência do decreto, além da autorização excepcional para que a concessionária de água e esgoto cobre as tarifas com base na média de consumo dos últimos 12 meses, considerando o aumento do uso de água para limpeza e recuperação dos danos.
Os impactos das chuvas também se espalharam por cidades próximas. Em Rio Novo, foram registrados cerca de 110 milímetros de chuva em aproximadamente cinco horas, provocando alagamentos em diversos pontos, deslizamentos de terra e o colapso de um barranco na Rua Evaristo Braga, onde os maiores danos foram observados. Equipes da prefeitura e da Defesa Civil atuaram desde a madrugada para minimizar os prejuízos e orientar moradores. A administração municipal reforçou o pedido para que a população respeite as interdições e siga rigorosamente as orientações técnicas, como forma de prevenir acidentes e danos maiores. O telefone da Defesa Civil foi disponibilizado para atendimentos emergenciais, e a solidariedade às famílias atingidas foi reforçada.
As chuvas intensas também afetaram rodovias da região, com pontos de alagamento e deslizamento de terra na MG-126, entre São João Nepomuceno e Rio Novo, além de trechos da LMG-858, no sentido São João Nepomuceno–Descoberto, onde o acúmulo de lama sobre a pista aumenta o risco de acidentes. Motoristas e motociclistas foram orientados a redobrar a atenção, reduzir a velocidade e, se possível, evitar deslocamentos desnecessários.
Em Ubá, as chuvas da noite e da madrugada provocaram alagamentos em diferentes regiões da cidade, deixando moradores em estado de alerta. Na região do Peixoto Filho, um afluente do Rio Chopotó subiu rapidamente e cobriu a ponte de acesso ao bairro Solar, deixando famílias ilhadas temporariamente. Embora o nível da água tenha começado a baixar nas primeiras horas da manhã, a travessia ainda é considerada perigosa, e a orientação é para que ninguém tente atravessar o local sem avaliação técnica e liberação das autoridades. A Defesa Civil acompanha a situação desde o início do evento e deve divulgar relatórios atualizados sobre as áreas mais afetadas.
Já em Guidoval, a Defesa Civil informou que o nível do Rio Chopotó permanece dentro dos parâmetros de segurança, com elevação de cerca de 30 centímetros durante o período mais intenso da chuva, mantendo a situação sob controle. Em São João Nepomuceno, até o momento, não foram registrados problemas graves, resultado, segundo a Defesa Civil local, de um trabalho preventivo realizado ao longo dos últimos anos, com melhorias na infraestrutura urbana e monitoramento constante de rios, ribeirões e córregos. Apesar disso, o aumento do nível das águas é acompanhado de perto, e a população foi orientada a manter calhas e saídas de água desobstruídas, além de evitar áreas de risco.
A atenção também se voltou para Guarani, onde o nível do Rio Pomba atingiu a cota de alerta, com medições acima de quatro metros nas primeiras horas da manhã. Áreas tradicionalmente mais vulneráveis, como bairros ribeirinhos, o entorno da Praça Antônio Carlos e regiões próximas ao parque de exposições, estão sendo monitoradas de forma preventiva. Apesar do cenário de atenção, não houve registro de famílias desalojadas ou desabrigadas até o momento, e o plano de contingência do município segue ativo, com locais de abrigo e equipes de assistência social de prontidão. A expectativa das autoridades é que, com a diminuição da intensidade das chuvas na cabeceira do rio, o nível das águas possa se estabilizar e começar a baixar gradualmente.
Fora de Minas Gerais, a situação também é crítica na Região Serrana do Rio de Janeiro. Em Petrópolis, ruas foram transformadas em rios, alagamentos atingiram o Centro Histórico e a Defesa Civil emitiu alerta extremo para risco de deslizamentos, especialmente na região do Quitandinha. Foram registrados mais de 60 milímetros de chuva em apenas uma hora e cerca de 150 milímetros nas últimas 24 horas. Aulas foram suspensas, o transporte público chegou a ser interrompido por quase duas horas e escolas foram abertas como pontos de apoio para moradores de áreas de risco. A recomendação é para que a população evite deslocamentos, não enfrente áreas alagadas e fique atenta a sinais de deslizamento.
Diante desse cenário, autoridades de toda a região reforçam a importância da prevenção e do respeito às orientações da Defesa Civil. A recomendação geral é evitar transitar por locais alagados, não atravessar pontes ou vias submersas, buscar abrigo seguro em caso de risco iminente e acionar os órgãos de emergência sempre que necessário. As previsões meteorológicas indicam a continuidade das chuvas pelos próximos dias na Zona da Mata Mineira e em áreas do Rio de Janeiro, aumentando a necessidade de atenção redobrada. Em meio aos prejuízos materiais e transtornos, o principal apelo das autoridades é para que vidas sejam preservadas e que a população adote uma postura preventiva até que o período de instabilidade climática seja superado.
